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domingo, 26 de junho de 2016

John Wesley na digressão norte-americana de Steven Wilson

John Wesley, o quinto elemento "não oficial" dos Porcupine Tree, acompanhará Steven Wilson em algumas datas da sua tour em nome próprio na América do Norte. As datas em questão são as seguintes:

Nov 17 - Center Stage - The Loft - Vinyl, Atlanta, GA
Nov 18 - The Plaza Live, Orlando, FL
Nov 19 - State Theatre Saint Petersburg, Tampa/St Pete, FL
Nov 20 - culture room, Fort Lauderdale, FL


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"4 1/2"


"4 1/2" (four and a half, ou quatro e meio, em português) é o mais recente disco de Steven Wilson. O disco saiu em Janeiro de 2016 e inclui seis faixas que retomam temas caros a Wilson e à leitura do mundo a que tem dado voz ao longo de uma carreira vária, competente, versátil e de respeito profundo e assumido pela música.
"[...] Under neon lights she walks home
Back to her apartment, oh a safe way
Harbored when she locks the door she could slip away [...]" [em "My book of regrets"]

"[...] I'm tired of burning up the time at my PC
I only end up downloading the same old pornography
The same old scene [...]"
[em "Hapiness III"]

Quatro das seis faixas surgiram durante a gravação dos terceiro e quarto discos a solo de Wilson, o que aliás não é difícil de compreender através da sonoridade e das palavras de canções como "My book of regrets" ou "Hapiness III". Já "Don't hate me", canção originalmente gravada para o disco "Stupid Dream" [1999], dos Porcupine Tree, surge com novos arranjos e uma abordagem mais individual, intimista e melancólica, o que de resto não surpreenderá os fãs mais atentos do senhor Wilson.

Não admira que, em jeito de provocação confessada, Wilson tenha associado ao seu quinto disco a solo a ideia de um "meio-disco", género de EP a que dão corpo músicas suficientemente boas para serem partilhadas mas que no momento da decisão foram deixadas de fora de verdadeiras obras primas como são "Hand.Cannot.Erase" e, em especial", "The raven that refused to sing (and other stories)".

Em "4 1/2" Wilson inclui três faixas instrumentais nas quais o elemento progressivo é particularmente saliente, sempre combinado com as influências - suas e dos músicos a quem se juntou [Adam Holzman, Nick Beggs, Guthrie Govan, Dave Kilminster, Craig Blundell, Marco Minnemann, Chad Wackerman e Theo Travis] - jazzistas, metal, ambiente e por vezes pop que transformam as suas composições em enigmas verdadeiramente desconcertantes para o ouvido menos treinado. Oiça-se "Vermillioncore" para compreender aquilo a que me refiro.


Faixas:

1. My book of regrets (9:23)
2. Year of the Plague (4:15)
3. Hapiness III (4:31)
4. Sunday rain sets in (4:31)
5. Vermillioncore (5:09)
6. Don't hate me (9:34)


[o álbum no Youtube]

[imagens: Lasse Hoile]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

"Hand. Cannot. Erase."

When I was 13 I had a sister for 6 months.She arrived one February morning, pale and shellshocked, from past lives I could not imagine. She was 3 years older than me, but in no time we became friends.
We’d listen to her mix tapes; Dead Can Dance, Felt, This Mortal Coil…
She introduced me to her favourite books, gave me clothes, and my first cigarette.
Sometimes we would head down to Blackbirds moor to watch the barges on Grand Union in the twilight.
She said “The water has no memory”.
For a few months everything about our lives was perfect.
It was only us, we were inseparable.
Later that year my parents separated and my sister was rehoused with a family in Dollis Hill.
For a month I wanted to die and missed her every day.
But gradually she passed into another distant part of my memory.
Until I could no longer remember her face, her voice, even her name.



Quando em Janeiro de 2006 Steven Wilson lançou o albúm "Loss", do seu projecto "Bass Communion", dava à fiel comunidade de fãs do universo wilsoniano a notícia de que o tema da perda passaria a afirmar-se como elemento omnipresente nos discos que gravaria daí em diante, quer a solo, quer nos vários projectos em que participou e participa (Porcupine Tree, No Man, Blackfield, etc.). Wilson tinha então uma idade muito próxima daquela que tenho hoje, em acelerada aproximação dos 40.


Steven Wilson. Fotografia.


A ideia de perda volta a manifestar-se com evidente centralidade em "Hand. Cannot. Erase.", o seu quarto disco a solo que é lançado no final deste mês. O albúm conta a história de uma mulher solitária que vive numa grande cidade, e que certo dia desaparece sem que ninguém dê pela sua falta. Uma re-elaboração de "Luminol", a poderosa faixa que abre "The raven that refused to sing (and other stories)", disco que tem na ideia, no sentimento e na vivência da perda o seu elemento estruturante mais forte.

De "Hand. Cannot. Erase." conhecem-se já alguns pormenores e, oficialmente, "Perfect life", a quarta faixa do alinhamento. A personagem central da história do disco fala-nos suavemente aos ouvidos, contando a história do seu encontro e da sua vida com a irmã (nova re-elaboração de um tema do disco anterior, a faixa homónima "The raven that refused to sing"). Uma vida "perfeita" que, temo bem, se vá perdendo ao longo da narrativa, e que culmina com o desaparecimento (ignorado pelo mundo) da mulher.

O tempo voa, foge, Wilson escreveu sobre o fenómeno em "Time Flies", faixa dos Porcupine Tree do disco "The incident". Nela, uma vez mais, a ideia de uma vida perfeita, uma idade de ouro e um tempo antigo, estilhaçado pelo tempo e pelos indicidentes da vida ("I was born in '67/The year of Sgt. Pepper/And Are You Experienced?/Into a suburb of heaven/Yeah, it should've been forever/It all seems to make so much sense"...). A perda é uma circunstância da vida, não há coleccionismo que a resolva. "Index", tema incluído no albúm "Grace for Drowning", refere-o de forma sublime.

A expectativa é grande, enorme. "Hand. Cannot. Erase" poderá ser em definitivo a afirmação de Wilson como um compositor de primeírissima água, um escritor de obras sonoras com princípio, meio e fim - albúns conceptuais reflectidos e bem escritos - capazes de abordar com assinalável profundidade filosófica o mundo que as gera. Wilson é, nesse sentido, um verdadeiro compositor "de intervenção".

Para quando uma banda sonora, Senhor Wilson?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Música triste que me faz feliz.

Há semanas atrás um amigo disse-me, de sorriso meio constrangido no rosto, "tu gostas de música para ficar triste". E eu, que não tenho por hábito ignorar o que me dizem, especialmente quando o que me dizem se baseia em contacto directo comigo, fiquei a pensar naquilo.

Não creio que goste de "música para ficar trite", sobretudo porque a tristeza não me traz felicidade, o senhor La Palice não diria melhor. Coisa diferente seria dizer "gostas de música triste". Nesse caso confirmaria sem hesitar. A música de que gosto é em regra melancólica, pausada, panorâmica, por vezes arrastada. A "tristeza" que a caracteriza pode estar nas palavras, nas notas, no ritmo e na sua combinação, total ou parcial. Quando a oiço sinto-me em paz. E a paz é uma certa forma de felicidade.

De resto a minha opinião sobre este tema da música "triste" confunde-se com aquela que o Sr. Steven Wilson exprimiu de forma absolutamente clara no documentário gravado na altura em que saiu o seu (grande) disco "Insurgentes".




A música "alegre" parece-me fundamentalmente despida de conteúdo e de alma, de verdadeira sintonia com a música que temos dentro de nós. E se por vezes é necessário fazer a música exterior puxar pela música interior, a tendência que me faz mais sentido é harmonizá-las. Creio por outro lado que a harmonia é uma quimera, tal como a liberdade, por exemplo. Em todo o caso, os pequenos momentos em que me sinto mais próximo dela acontecem quase sempre ao som de música "triste" (a que prefiro chamar melancólica).

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Index.

"Index" é uma das canções mais enigmáticas de "Grace For Drowning", segundo disco a solo de Steven Wilson. Já a ouvi, nas versões de estúdio e ao vivo, dezenas de vezes. Sei a letra de memória mas creio sinceramente que nunca a tinha compreendido até esta manhã, quando na viagem de comboio entre Algés e o Cais do Sodré passei os olhos pelas páginas 167 e 168 de "Entre os vândalos: o futebol e a violência", de Bill Buford.

Transcrevo:
"O nosso dia-a-dia consiste de padrões de conduta que nos mantêm intactos. O meu lugar numa sociedade civilizada, o meu lugar enquanto cidadão, deriva de um arranjo de acordos e rotinas. O meu dia-a-dia encontra-se fortemente padrozinado: acordo, mijo, como, (...). Tenho uma casa, um abrigo. Deixo-a de manhã e regresso ao fim da tarde: e ali está o meu abrigo, um dado material que não se limita a proporcionar-me tranquilidade; o facto de ser um espaço familiar reforça o meu eu. (...) Sou um coleccionador, um coleccionador básico e não um coleccionador refinado: as minhas fotografias, as minhas roupas, os meus móveis (dispostos de uma determinado maneira), a minha biblioteca (organizada de uma determinada maneira), os meus amigos e os meus entes queridos (organizados de uma determinada maneira), a ideia que tenho da minha vida,  de uma vida que se foi tornando amena e confortável devido a hábitos regulares, os meus jornais, o meu trabalho, a ideia que tenho de mim. Rodeio-me de coisas, apoio-me em adereços, encho o meu espaço de coisas: personalizo o meu espaço; torno-o íntimo; torno-o meu."

O texto continua. São duas páginas de auto acusatório ao homem resignado, quieto (ainda que se mova), padrozinado, metido - pela força do conformismo - dentro das fronteiras da matriz. Caramba, é disto que fala "Index". O tema é recorrente na obra de Steven Wilson, mas apenas esta manhã, ao ler um texto sobre a violência e a transgressão, encontrei a explicação detalhada e explicita da canção que não tinha ainda decifrado.

Para quem ainda não conhece, "Index", de Steven Wilson [versões de estúdio e ao vivo]:


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Perceberá o senhor Wilson o brilhantismo da sua música?

O Steven Wilson é um grande músico. Um músico que respeita e expressa o significado integral da palavra, do conceito. Se me pedissem para definir o que é ser "músico" eu responderia com duas palavras: Steven Wilson.

Naturalmente que a música não começou com o Steven Wilson nem morrerá com o fim dos seus projectos, mas nem Mozart nem Shostakovich foram músicos; para aquilo que foram e são não há ainda uma definição acabada e duvido que alguém a termine. Já o Steven Wilson é, para mim, "o músico" do nosso tempo, aquele que - de entre aqueles que conheço - melhor corporiza os aspectos essenciais da criação, interpretação e partilha no domínio específico da arte dos sons.

O problema é que creio que há no seu trajecto um respeito tão avassalador pela música que este (respeito) não raras vezes a ultrapassa a ela (música), deixando entre os dois um espaço por preencher que o próprio Steven parece não querer desbravar.

Depois de tanto ouvir os seus álbuns próprios, os discos dos Porcupine Tree (incluindo os apócrifos), dos No Man, dos Blackfield e da restante lista de infindáveis projectos em que se viu envolvido o senhor Wilson apercebo-me de algo que é de certa forma triste: o Steven não percebe, não alcança, a dimensão do brilhantismo da sua música, não sei se por um excesso de modéstia. É que se tudo no seu discurso parece apontar para o domínio da razão sobre a música, tudo na sua criação desvela o contrário: o domínio da música sobre a razão.

Querem ver?



quarta-feira, 27 de março de 2013

Significant Other





Encruzilhada. Crossroads, [cruzamento] em inglês. Termo usado para simbolizar uma situação de decisão delicada e determinante. Voltar atrás, ao contrário de um precipício, não é solução...

Pullin' back from the precipice
Feel so small now, stars shine bright above

...mas, fica-nos igualmente mais vivo tudo o que nos rodeia. Reavalia-se o valor da vida e contempla-se o meio, por exemplo, a beleza nesta música que...

Passin' through the day, only child
Breathe a sigh, other leads apply

...ao som da guitarra que vai shoegando a angelical melodia faz um incompatível contraste tal como a situação que dá lugar à encruzilhada. Amizade, o valor em contemplação; distorcida pelas guitarras, resta decidir se chegou a hora de deixar a distorção abafar a bela melodia, o inverso, ou fazer fade out.

Raining all day, trying to reach you
Feel so helpless, can't stop counting time (but in)
Don't know why, hands (something) stealin' my heart
Graceful dives', other leads apply* (rain down from the sky) [*]

terça-feira, 26 de março de 2013

The Raven That Refused To Sing

"The raven that refused to sing" é provavelmente o melhor disco que já ouvi nesta vida. Uma obra prima, singular, inatacável e intocável, meticulosamente escrita e interpretada por Steven Wilson e pela sua banda de virtuosos com alma de músicos.

Ando a digerir calmamente o disco e conto escrever sobre o dito uma "crítica" aqui no 10mil insurrectos.

O que deixo para já é outra coisa: um mini-documentário sobre a montagem do vídeo oficial da canção que dá nome do album, e que pode (deve!) ser visto aqui.

A animação é da responsabilidade de Jess Cope, que trabalhou em conjunto com Hajo Meuller e o próprio Steven Wilson para obter um resultado final à altura do disco e da história contada nesta canção sobre solidão, morte, lamento, conflito e por fim paz interior.

Um trabalho a todos os títulos notável.


Jess Cope on the making of 'The Raven That Refused To Sing' from Jessica Cope on Vimeo.


[Jess Cope já havia trabalhado com o sr.Wilson no vídeo de "Drag Ropes", no âmbito do projecto Storm Corrosion]