Depois de ter perdido a última passagem dos Porcupine Tree por Portugal
(em Almada, se a memória não me falha) nunca julguei possível que o
projecto a solo de Steven Wilson viesse ao nosso país, apresentar-se a
um público pouco numeroso e que não se encontra maioritariamente
vocacionado para a mensagem de que o autor de "Insurgentes", "Grace for
Drowning", "The Raven that refused to sing and others stories" ou
"Hand.Cannot.Erase." é portador. Foi por isso com espanto e euforia que
em Maio deste ano fiquei a saber que a digressão europeia da banda de
Steven Wilson teria início precisamente em Lisboa.
Foram meses e meses de espera, alimentando expectativas. O concerto superou-as em absoluto. Steven Wilson é ímpar no que se refere à composição e interpretação, e os músicos de que se rodeia são a nata da nata da música actual. Dave Kilminster não ficou a dever nada a Guthrie Govan e o baterista Craig Blundell foi substituto à altura do grande Marco Minnemann, que começou ontem a sua digressão com Joe Satriani. Nick Beggs rula - no baixo, no stick e nos coros - e Adam Holzman é nas teclas a expressão perfeita da melancolia associada à visão wilsoniana da música e da vida.
O concerto pareceu pensado ao pormenor e o dispositivo de som montado na Sala Tejo da Meo Arena encheu a sala de uma forma competente. Wilson não facilita. De resto não se viram "selfies" nem figuras tristes na pequena multidão que foi ao Parque das Nações dizer "presente" e a regra foi o respeito do público pelo pedido expresso de Wilson: guardem os telefones móveis, oiçam e vejam o que aqui viemos trazer e esqueçam fotografias e vídeos para carregar nas redes sociais. Quem foi à Meo Arena sabia ao que ia e por isso o silêncio imperou, reverente, perante a qualidade esmagadora do quintento em palco.
O conjunto de temas da setlist centrou-se naturalmente em "Hand.Cannot.Erase.", não fugindo muito aos outros tocados na primeira tour de divulgação do disco. E se não consigo apontar um ponto alto do concerto é porque Wilson e os seus músicos colocaram a fasquia no topo logo com "First Regret", mantendo-a lá em cima até à despedida com uma interpretação perfeita, emocional e arrebatadora de "The Raven That Refused to Sing". Pelo meio destaco a interpretação da faixa n.º1 do primeiro trabalho a solo de Wilson ("Insurgentes"), "Harmony Korine", uma das minhas preferidas, ou a fenomenal interpretação de "Lazarus".
Lisboa rendeu-se uma vez mais a Steven Wilson e o músico, dois encores depois, terá ficado com vontade de voltar um dia no futuro. A tour europeia arrancou da melhor forma e o que se espera é o regresso de Wilson - a solo ou com outro dos seus projectos - a Portugal. Haverá uma data livre até final do ano?
Setlist ("An evening with Steven Wilson", Lisboa - 15.09.2015):
Intro
First Regret
3 Years Older
Hand Cannot Erase
Perfect Life
Routine
Index
Home Invasion
Regret #9
Lazarus (Porcupine Tree)
Harmony Korine
Ancestral
Happy Returns
Ascendant Here On...
Encore:
Temporal
(Bass Communion song)
Watchmaker Intro Video
The Watchmaker
Sleep Together (Porcupine Tree)
Encore 2:
The Sound of Muzak (Porcupine Tree)
Open Car (Porcupine Tree song)
The Raven That Refused to Sing
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Rei Midas em Lisboa.
O mito grego do Rei Midas conta-nos a história de um monarca que transformava em ouro tudo aquilo em que tocava, circunstância que somava à possibilidade de obter infinita riqueza constrangimentos vários que levaram Midas a querer afastar-se do seu próprio dom.
Steven Wilson é um Rei Midas da música deste início de século XXI. Músico de excepção - tanto no domínio da composição como da interpretação - é bem capaz de transformar em ouro tudo aquilo em que toca, o que num tempo de pouca reflexão mas imensa reacção pode virar-se contra si próprio. Wilson poderia ser um nome conhecido de todos bastando-lhe para isso vender a alma ao diabo que tudo mercantiliza, empacota e vende com aliciantes descontos. Felizmente nunca o fez.
Wilson é sobretudo conhecido pelo seu trabalho com os Porcupine Tree, banda de que foi criador e numa fase inicial membro único (tocando os vários instrumentos). Depois vieram uma série de outros projectos, incluindo aquele a solo que hoje o ocupa quase a tempo inteiro. Um músico ímpar, com uma visão única sobre a música e sobre o seu lugar neste mundo caótico.
É das coisas que me faz mais feliz nesta vida, ouvir a música do Sr. Wilson, o Rei Midas. É por isso que hoje acordei ansioso e com um sorriso pateta nos lábios. Hoje o Rei Midas toca em Lisboa e eu vou estar lá. Tic tac tic tac. Nunca mais são nove e meia.
Steven Wilson é um Rei Midas da música deste início de século XXI. Músico de excepção - tanto no domínio da composição como da interpretação - é bem capaz de transformar em ouro tudo aquilo em que toca, o que num tempo de pouca reflexão mas imensa reacção pode virar-se contra si próprio. Wilson poderia ser um nome conhecido de todos bastando-lhe para isso vender a alma ao diabo que tudo mercantiliza, empacota e vende com aliciantes descontos. Felizmente nunca o fez.
Wilson é sobretudo conhecido pelo seu trabalho com os Porcupine Tree, banda de que foi criador e numa fase inicial membro único (tocando os vários instrumentos). Depois vieram uma série de outros projectos, incluindo aquele a solo que hoje o ocupa quase a tempo inteiro. Um músico ímpar, com uma visão única sobre a música e sobre o seu lugar neste mundo caótico.
É das coisas que me faz mais feliz nesta vida, ouvir a música do Sr. Wilson, o Rei Midas. É por isso que hoje acordei ansioso e com um sorriso pateta nos lábios. Hoje o Rei Midas toca em Lisboa e eu vou estar lá. Tic tac tic tac. Nunca mais são nove e meia.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Não, não é mentira: o Sr. Steven Wilson regressa a Portugal
Depois de em 2009 ter tocado em Portugal integrado nos Porcupine Tree (setlist do concerto de Almada aqui) o sr. Steven Wilson regressa ao nosso cantinho para um concerto de apresentação do seu novo disco "Hand.Cannot.Erase".
O espectáculo, que decorrerá na sala Tejo da Meo Arena (Pavilhão Atlântico), em Lisboa, realiza-se na noite de 15 de Setembro, às 21h30.
O espectáculo, que decorrerá na sala Tejo da Meo Arena (Pavilhão Atlântico), em Lisboa, realiza-se na noite de 15 de Setembro, às 21h30.
Etiquetas:
concerto em Lisboa,
Hand Cannot Erase
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