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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Música triste que me faz feliz.

Há semanas atrás um amigo disse-me, de sorriso meio constrangido no rosto, "tu gostas de música para ficar triste". E eu, que não tenho por hábito ignorar o que me dizem, especialmente quando o que me dizem se baseia em contacto directo comigo, fiquei a pensar naquilo.

Não creio que goste de "música para ficar trite", sobretudo porque a tristeza não me traz felicidade, o senhor La Palice não diria melhor. Coisa diferente seria dizer "gostas de música triste". Nesse caso confirmaria sem hesitar. A música de que gosto é em regra melancólica, pausada, panorâmica, por vezes arrastada. A "tristeza" que a caracteriza pode estar nas palavras, nas notas, no ritmo e na sua combinação, total ou parcial. Quando a oiço sinto-me em paz. E a paz é uma certa forma de felicidade.

De resto a minha opinião sobre este tema da música "triste" confunde-se com aquela que o Sr. Steven Wilson exprimiu de forma absolutamente clara no documentário gravado na altura em que saiu o seu (grande) disco "Insurgentes".




A música "alegre" parece-me fundamentalmente despida de conteúdo e de alma, de verdadeira sintonia com a música que temos dentro de nós. E se por vezes é necessário fazer a música exterior puxar pela música interior, a tendência que me faz mais sentido é harmonizá-las. Creio por outro lado que a harmonia é uma quimera, tal como a liberdade, por exemplo. Em todo o caso, os pequenos momentos em que me sinto mais próximo dela acontecem quase sempre ao som de música "triste" (a que prefiro chamar melancólica).