When I was 13 I had a sister for 6 months.She arrived one February morning, pale and shellshocked, from past lives I could not imagine. She was 3 years older than me, but in no time we became friends.
We’d listen to her mix tapes; Dead Can Dance, Felt, This Mortal Coil…
She introduced me to her favourite books, gave me clothes, and my first cigarette.
Sometimes we would head down to Blackbirds moor to watch the barges on Grand Union in the twilight.
She said “The water has no memory”.
For a few months everything about our lives was perfect.
It was only us, we were inseparable.
Later that year my parents separated and my sister was rehoused with a family in Dollis Hill.
For a month I wanted to die and missed her every day.
But gradually she passed into another distant part of my memory.
Until I could no longer remember her face, her voice, even her name.
We’d listen to her mix tapes; Dead Can Dance, Felt, This Mortal Coil…
She introduced me to her favourite books, gave me clothes, and my first cigarette.
Sometimes we would head down to Blackbirds moor to watch the barges on Grand Union in the twilight.
She said “The water has no memory”.
For a few months everything about our lives was perfect.
It was only us, we were inseparable.
Later that year my parents separated and my sister was rehoused with a family in Dollis Hill.
For a month I wanted to die and missed her every day.
But gradually she passed into another distant part of my memory.
Until I could no longer remember her face, her voice, even her name.
Quando em Janeiro de 2006 Steven Wilson lançou o albúm "Loss", do seu projecto "Bass Communion", dava à fiel comunidade de fãs do universo wilsoniano a notícia de que o tema da perda passaria a afirmar-se como elemento omnipresente nos discos que gravaria daí em diante, quer a solo, quer nos vários projectos em que participou e participa (Porcupine Tree, No Man, Blackfield, etc.). Wilson tinha então uma idade muito próxima daquela que tenho hoje, em acelerada aproximação dos 40.
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| Steven Wilson. Fotografia. |
A ideia de perda volta a manifestar-se com evidente centralidade em "Hand. Cannot. Erase.", o seu quarto disco a solo que é lançado no final deste mês. O albúm conta a história de uma mulher solitária que vive numa grande cidade, e que certo dia desaparece sem que ninguém dê pela sua falta. Uma re-elaboração de "Luminol", a poderosa faixa que abre "The raven that refused to sing (and other stories)", disco que tem na ideia, no sentimento e na vivência da perda o seu elemento estruturante mais forte.
De "Hand. Cannot. Erase." conhecem-se já alguns pormenores e, oficialmente, "Perfect life", a quarta faixa do alinhamento. A personagem central da história do disco fala-nos suavemente aos ouvidos, contando a história do seu encontro e da sua vida com a irmã (nova re-elaboração de um tema do disco anterior, a faixa homónima "The raven that refused to sing"). Uma vida "perfeita" que, temo bem, se vá perdendo ao longo da narrativa, e que culmina com o desaparecimento (ignorado pelo mundo) da mulher.
O tempo voa, foge, Wilson escreveu sobre o fenómeno em "Time Flies", faixa dos Porcupine Tree do disco "The incident". Nela, uma vez mais, a ideia de uma vida perfeita, uma idade de ouro e um tempo antigo, estilhaçado pelo tempo e pelos indicidentes da vida ("I was born in '67/The year of Sgt. Pepper/And Are You Experienced?/Into a suburb of heaven/Yeah, it should've been forever/It all seems to make so much sense"...). A perda é uma circunstância da vida, não há coleccionismo que a resolva. "Index", tema incluído no albúm "Grace for Drowning", refere-o de forma sublime.
A expectativa é grande, enorme. "Hand. Cannot. Erase" poderá ser em definitivo a afirmação de Wilson como um compositor de primeírissima água, um escritor de obras sonoras com princípio, meio e fim - albúns conceptuais reflectidos e bem escritos - capazes de abordar com assinalável profundidade filosófica o mundo que as gera. Wilson é, nesse sentido, um verdadeiro compositor "de intervenção".
Para quando uma banda sonora, Senhor Wilson?

Ótimo texto :)
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