Naturalmente que a música não começou com o Steven Wilson nem morrerá com o fim dos seus projectos, mas nem Mozart nem Shostakovich foram músicos; para aquilo que foram e são não há ainda uma definição acabada e duvido que alguém a termine. Já o Steven Wilson é, para mim, "o músico" do nosso tempo, aquele que - de entre aqueles que conheço - melhor corporiza os aspectos essenciais da criação, interpretação e partilha no domínio específico da arte dos sons.
O problema é que creio que há no seu trajecto um respeito tão avassalador pela música que este (respeito) não raras vezes a ultrapassa a ela (música), deixando entre os dois um espaço por preencher que o próprio Steven parece não querer desbravar.
Depois de tanto ouvir os seus álbuns próprios, os discos dos Porcupine Tree (incluindo os apócrifos), dos No Man, dos Blackfield e da restante lista de infindáveis projectos em que se viu envolvido o senhor Wilson apercebo-me de algo que é de certa forma triste: o Steven não percebe, não alcança, a dimensão do brilhantismo da sua música, não sei se por um excesso de modéstia. É que se tudo no seu discurso parece apontar para o domínio da razão sobre a música, tudo na sua criação desvela o contrário: o domínio da música sobre a razão.
Querem ver?
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